Os Sete Povos das Missões, também conhecidos como as Missões Jesuíticas, foram uma série de assentamentos fundada pelos jesuítas espanhóis na região que hoje compreende o Brasil, Argentina e Paraguai, durante os séculos XVII e XVIII. Essas missões buscavam estabelecer comunidades indígenas convertidas ao cristianismo, além de proporcionar-lhes proteção e ensinamentos nas áreas da agricultura, artesanato e educação.
As Missões Jesuíticas desempenharam um papel fundamental no processo de colonização da América do Sul. Ao estabelecerem esses povoados, os jesuítas buscavam proteger os indígenas das incursões de bandeirantes e de outras potências coloniais que buscavam escravizá-los. Além disso, as missões serviam como uma espécie de “laboratório” para a implementação dos ideais jesuíticos de uma sociedade mais igualitária e justa.
As comunidades dos Sete Povos das Missões eram organizadas em torno de grandes igrejas, praças centrais e casas comunitárias. Os indígenas recebiam educação e formação em ofícios, como carpintaria, olaria e tecelagem, além de aprenderem a técnica agrícola do cultivo do milho e da mandioca. A produção era coletiva e os excedentes eram destinados ao sustento das comunidades.
Apesar de seu relativo sucesso, as Missões Jesuíticas foram alvo de disputas territoriais e tensões entre as coroas espanhola e portuguesa, que resultaram em conflitos e, posteriormente, na expulsão dos jesuítas pelos governos coloniais. As missões acabaram sendo abandonadas e parte de seu patrimônio foi destruído.
No entanto, o legado dos Sete Povos das Missões permanece como um importante capítulo na história da América do Sul. Suas ruínas são hoje consideradas Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, e as comunidades indígenas descendentes dos povos originários dessas missões mantêm viva sua cultura e tradições. As Missões Jesuíticas representam um exemplo singular de intercâmbio cultural e de tentativa de conciliação entre a cultura europeia e as tradições indígenas, deixando um importante legado histórico e cultural para as gerações futuras.

A presença feminina nos Sete Povos das Missões

A presença feminina nos Sete Povos das Missões era fundamental para o funcionamento da comunidade. As mulheres guaranis eram responsáveis por diversas atividades, como a agricultura, a pesca e a produção de artesanato. Elas também tinham um papel importante na educação das crianças, na organização das festas religiosas e nas decisões comunitárias.
Além disso, as mulheres desempenhavam um papel crucial na preservação da cultura e tradições dos povos guaranis. Elas transmitiam suas histórias e conhecimentos aos mais jovens e eram as guardiãs do patrimônio cultural e espiritual da comunidade. Sem a presença e participação ativa das mulheres, os Sete Povos das Missões não teriam sido tão prósperos e influentes como foram durante o período colonial.
As mulheres guaranis desempenharam um papel de extrema importância nos Sete Povos das Missões, que foram comunidades estabelecidas pelos jesuítas no território onde atualmente se localiza o sul do Brasil, Argentina e Paraguai. Essas mulheres exerciam diversas funções essenciais para o funcionamento e desenvolvimento dessas comunidades.

As mulheres guaranis eram responsáveis pela agricultura e produção de alimentos, cultivando as lavouras e garantindo o sustento das comunidades. Além disso, elas também desempenhavam um papel fundamental na tecelagem, produzindo tecidos e peças de vestuário para uso próprio e para a comunidade. Suas habilidades na tecelagem eram altamente valorizadas, e suas peças eram reconhecidas pela qualidade e beleza.

Além das tarefas domésticas e de subsistência, as mulheres guaranis também exerciam um papel importante na vida religiosa e educacional das comunidades. Elas participavam dos rituais e cerimônias religiosas, transmitindo as tradições e crenças guaranis para as futuras gerações. Além disso, eram responsáveis pela educação das crianças, ensinando-lhes a língua, os costumes e os conhecimentos tradicionais.

A participação ativa das mulheres guaranis nos Sete Povos das Missões contribuiu para a construção e preservação da identidade cultural guarani, mesmo diante das imposições e influências europeias. Suas habilidades, conhecimentos e papel social foram essenciais para o funcionamento harmonioso das comunidades, garantindo a sobrevivência e a continuidade cultural do povo guarani. O legado dessas mulheres é uma parte importante da história e da herança cultural da região.

O modo de vestir da mulher guarani

As indígenas guaranis nos Sete Povos das Missões tinham uma forma peculiar de se vestir, que refletia sua cultura e tradições. Suas vestimentas eram feitas de materiais naturais, como algodão, linho e peles de animais. As mulheres guaranis usavam uma espécie de vestido chamado “tipoy”, que consistia em uma túnica longa e solta, amarrada na cintura por uma faixa. Esse vestuário permitia liberdade de movimento e era adaptado ao clima quente da região.
Além do tipoy, as indígenas guaranis adornavam-se com diversos acessórios. Elas usavam colares, pulseiras e brincos, geralmente feitos de sementes, conchas, ossos ou pedras. Também enfeitavam seus cabelos com penas coloridas e tinham o costume de pintar seus corpos com tintas vegetais, que simbolizavam sua identidade étnica e crenças espirituais.
As vestimentas das indígenas guaranis nos Sete Povos das Missões eram uma expressão cultural e um meio de identificação étnica. Por meio de suas roupas e adornos, elas transmitiam sua conexão com a natureza e seus valores coletivos. Essa forma de vestir-se mantinha viva a herança ancestral e contribuía para a preservação da identidade guarani dentro das comunidades das Missões Jesuíticas.
Os índios missioneiros se vestiam conforme severa moral jesuítica. Passaram a usar os calções europeus e em seguida a camisa, introduzida nas missões pelo Padre Antônio Sepp.
Além disso, também usavam uma peça não europeia, “el poncho”, o pala bichará, uma peça que não existia no Rio Grande do Sul antes da chegada do branco, pois os nossos índios pré-missioneiros não teciam e nem fiavam.

A mulher missioneira usava o “tipoy”, um longo vestido formado por dois panos costurados entre si, deixando duas aberturas para os braços e uma para o pescoço. Na cintura, usavam uma espécie de cordão, chamado “chumbé”.

O “tipoy” era feito de algodão esbranquiçado, mas em seguida se tornava avermelhado com o pó das Missões. Em ocasiões festivas, usavam um alvo “tipoy” de linho sobre o de uso diário. Já nas vestes religiosas, como as procissões, as índias usavam mantos de cores dramáticas, como o roxo e o negro.

Desenho de uma pessoa

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Fonte: Indumentária Gaúcha
Antônio Augusto Fagundes – Martins Livreiro Editor (2ª Edição)

A Influência dos jesuítas no modo de vestir das mulheres indígenas guaranis nos Sete Povos das Missões

A presença dos jesuítas nos Sete Povos das Missões exerceu uma influência significativa no modo de vestir das mulheres guaranis. Os missionários europeus incentivaram a adoção de vestimentas mais “civilizadas” e influenciadas pela moda da época, visando à assimilação dos indígenas aos padrões culturais europeus. Isso levou as mulheres guaranis a incorporarem elementos como o uso de tecidos europeus, como algodão e linho, e a adoção de novas técnicas de costura e modelagem.

Além disso, os jesuítas incentivaram a moderação e a simplicidade nas vestimentas, como forma de promover uma imagem de virtude e modéstia. As indígenas passaram a adotar vestidos mais longos e largos, muitas vezes com cintos e faixas para marcar a cintura. No entanto, elas ainda mantiveram elementos de sua cultura tradicional, como o uso de cores vibrantes, adornos feitos de materiais naturais e pinturas corporais simbólicas.

Dessa forma, a presença dos jesuítas nas Missões Jesuíticas impactou o modo de vestir das mulheres guaranis, ao introduzir elementos da moda europeia e incentivar uma mudança na estética indígena. No entanto, apesar dessas influências externas, as mulheres guaranis conseguiram manter sua identidade cultural, preservando certos elementos de suas tradições e adaptando os novos padrões às suas necessidades e valores.

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